Smilla e os Mistérios da Neve

12Jan11

Autor: Peter Høeg

Editora: Edições ASA (2010)

Páginas: 477

Sinopse: Smilla Jaspersen tem a neve em muito melhor conta do que o amor. Ela é especialista das propriedades físicas do gelo e vive num mundo de números, ciência e memórias. E, agora, está convencida de que ocorreu um crime terrível cuja vítima é Isaiah, um rapaz de seis anos. Para além da amizade que os unia, Smilla e Isaiah tinham em comum o facto de pertencerem à pequena comunidade de esquimós a viver em Copenhaga. Quando as conclusões do inquérito oficial apontam para acidente, Smilla suspeita. E à medida que reúne informação sobre o caso, apercebe-se das suas sombrias ligações. De uma expedição secreta à Gronelândia a uma estranha conspiração que data da Segunda Guerra Mundial, muito parece estar por explicar. Pelo seu amigo e por si, ela embarca numa jornada arrepiante de mentiras, revelações e violência que a levará de volta ao mundo branco que em tempos deixou para trás e onde um segredo explosivo aguarda debaixo do gelo…

Opinião:

Deus do céu, ainda vamos na primeira quinzena de Janeiro e eu já tenho a certeza de que encontrei O Livro Mais Chato de 2011! Isso mesmo: Smilla e os Mistérios da Neve ou alternativamente (intitulado por mim), Ter Partido Uma Perna Teria Sido Mais Interessante e Menos Doloroso. Perdoem-me boa gente da ASA, mas esta é a verdade, e só quem já passou por este massacre literário, sabe do que me refiro.

Este livro começa com a morte de um rapazinho chamado Isaiah, de quem a protagonista, Smilla, era vizinha e gostava bastante. Acontece que Smilla estranha as condições em que se deram a morte do rapaz e resolve investigar, tendo como aliado outro dos seus vizinhos, um gigante chamado Peter, mas a quem ela faz referência sempre como “o mecânico” (porque é o que ele é). Descobrir porque morreu Isaiah é então o objectivo de todas as andanças do casal, mas eu nem tentando conseguiria alguma vez enumerar as voltas que estes dois vão dar para tal, ou sequer explicar porquê exactamente. Suponho que a necessidade de ter feito várias e largas pausas durante a leitura deste livro tenha prejudicado a minha percepção da história, mas muito sinceramente, as investigações de Smilla para mim limitaram-se a repetidas cenas nas quais ela fala com não-sei-quem, sobre não-sei-o-quê, terminando quase sempre com ela a insultar a pessoa em questão, umas vezes com mais, outras vezes com nenhuma subtileza.

Houve algumas cenas que me agarraram um bocadinho, como por exemplo, sempre que Smilla falava dos tempos em que viveu com a mãe na Gronelândia, ou sempre que ela recordava Isaiah, mas fora isso, tudo o resto tende para o chato, angustiante e por vezes surreal. Como se isto não bastasse, o desfecho envolve ainda uma teoria repugnante acerca de uns vermes asquerosos que uma vez ingeridos conseguem cavar túneis pelo corpo humano fora, de modo a alcançar um dos órgãos vitais, e uma vez  lá, depositar milhares de ovos. (Holy Mother of God *.*)

Nova sinopse de Smilla e os Mistérios da Neve, escrita por moi:

Miúdo morre.

Smilla decide investigar.

Boring.

Boring.

Boring.

Pausa para cena de sexo extremamente perturbadora – quando forem à livraria abram este livro na página 203. Leiam o último parágrafo. E voltem para me contradizer. Se não voltarem eu vou tomar isso como um “sim”, desculpem mas quem cala consente.

Onde é que eu ia? Ah:

Boring.

Boring.

Boring.

(ou +/- 400 páginas de boring nonstop.)

Smilla embarca num navio.

Boring-boring em alto-mar.

Cena de acção final + vermes nojentos que conseguem perfurar o corpo humano.

Mais alguém morre. Ou então não.

Boring.

Fim.

Thrillers (ou melhor, autores) escandinavos: nunca mais!

Classificação: 2/10

Goodreads ǀ Edições ASA


9 Responses to “Smilla e os Mistérios da Neve”

  1. 1 p7

    Caramba, não gostaste mesmo. 😛 Ando um bocado desconfiada desta moda de policiais nórdicos, mas ainda tenho que ler o primeiro do Stieg Larsson que a minha irmã tem cá em casa para formar uma opinião em condições. E a título de curiosidade, quanto a vermes que conseguem perfurar o corpo humano, não sei os pormenores do que explicam no livro, mas há uns parasitas que conseguem fazer uma coisa do género. 😛

    • Mesmo…está visto que o género não é para mim x_x
      O Stieg Larsson realmente está em alta, mas também nunca li nada do senhor. Lê que eu fico à espera da opinião!xD

      Quantos aos vermes: O HORROR!! 😮

  2. 3 quigui

    Eu atesto quanto a surrealidade e WTF-ness da cena sexo ali da página 203 – a única parte deste livro que li porque me pediram para tentar explicar o que acontece. E Jen, continuo-te a dizer que é a mecânica da coisa é um pouco improvável mas explicar o porquê de a fazer é totalmente impossível. E por favor, se alguma vez me vires a pegar neste livro (se por alguma razão aquele paragrafo se apagar da minha mente) impede-me de qualquer forma que consigas. *shudders* (continua a ler o Little White Horse para esquecer este livro – fica só a pensar no Robin que ficas bem :P)

    • *lol* sim, WTF-ness é a palavra para descrever aquela cena. Eu falhei, porque devia ter-te tirado uma foto, e à Ana, no exacto momento em que vocês levantaram a cabeça do livro, depois de ter lido o tal parágrafo – priceless! xD

      Quem souber explicar a mecânica daquela cena, esteja à vontade de postar uma resposta!

      Okidoki quigui 😉

  3. 5 slayra

    OMG, vermes perfuradores, yuck! Nem me vou aproximar deste livro, a não ser que passe por ele numa livraria! :p Fico bem avisada. Btw, se não gostas de vermes, não leias a Estirpe (se ainda não leste). 😀

    Realmente agora os autores escandinavos estão na moda, por causa do Stieg Larsson. Já li o primeiro dele e até é interessante, mas depois cometi o erro de ler “A Princesa do Gelo” da Camilla… qualquer-coisa. Era escandinava e o livro foi publicado pela mesma editora que publicou os do Larsson; para além de que a autora era apelidada como “A Agatha Christie que vem do frio”. Não resisti e lá li o livro, mas apesar de não ter sido tão doloroso como a tua leitura de “Smilla”, OMG, nunca li sobre um polícia tão denso na minha vida. A sério, só faltavam as seta iluminadas a dizer “clue here” e mesmo assim a dupla de herois (um polícia e uma jornalista, penso eu) demoraram imenso tempo a chegar ao culpado. LOL.

    • Yep, assim do nada, no meio daquele boring todo (até pensei que estava ler outro livro por engano) aparecem VERMES! até tenho ideia que eram extraterrestres e que vieram num meteorito que é descoberto no gelo, mas não tenho a certeza, podiam ser só vermes nojentos que já lá estavam no gelo e que entravam nas pessoas que iam ver o meteorito, mas não sei, algumas partes deste livro já são uma névoa na minha memória – thank God.

      Sim, o Stieg Larsson parece que lançou a moda. Deve ter sido por isso que a Asa foi repescar a Smilla e os Mistérios da Neve…quer dizer, já saiu há tanto tempo, e lembraram-se agora de o publicar? Não me parece muito aleatório, com o Larsson em alta nas livrarias.

      “A Agatha Christie que vem do frio” é muito bom xD opá, lembram-se de cada uma para enganar os leitores!

      (p.s. não li a Estirpe e já fiquei em alerta – muito, muito obrigada :D)


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