A Rapariga dos Pés de Vidro

10Out10

Autor: Ali Shaw

Editora: Guerra&Paz (2010)

Páginas: 312

Sinopse: Ida Maclaird sofre de um mal misterioso e assustador –lentamente o seu corpo começa a transformar-se em vidro. Regressa então à Terra de Santo Hauda, onde acredita que tudo teve início, com a vaga esperança de encontrar o único homem que poderá ser capaz de curá-la.  Midas Crook é um jovem solitário, que viveu toda a vida naquelas ilhas. Quando conhece Ida, sente que há qualquer coisa naquele espírito triste e desafiador que perpassa as suas defesas emocionais. Poderá o amor de Midas impedir que Ida se transforme em vidro?

Opinião:

E pronto. De vez em quando lá vem um livro que não consigo decidir se gostei ou não, se percebi ou não, se hei-de recomendar ou não, se fiquei fã do autor ou não. A única certeza que tenho é que, quando me decidir e a resposta calhar de ser uma sucessão de negativas, a minha A Rapariga dos Pés de Vidro vai ser escondida num sítio escuro, difícil de alcançar, e de preferência com portinhola e fechadura.

Resumidamente, este livro conta a história de Midas Crook, um alucinado pela arte da fotografia, com sérios problemas de relacionamento humano (em especial no campo amoroso) e um rancor desmedido pelo seu falecido pai; e de Ida Maclaird, uma jovem mulher que, como é fácil de adivinhar, se está a lenta e misteriosamente a transformar em vidro, que por mero acaso certo dia conhece o Midas (já que ele lhe cai aos pés depois de rolar por uma ravina abaixo)e assim o vai escolher para ser o seu último apaixonado.

O cenário desta história desconcertante é uma ilha (vá, arquipélago) onde a estranheza e o surreal são as palavras de ordem. A narrativa intercala constantemente com o presente e o passado não só de Midas e de Ida mas também de outras personagens tais como Carl Maulsen e Henry Fuwa, sendo que o primeiro era apaixonado pela mãe de Ida -não correspondido; e o segundo, pela mãe de Midas -correspondido, mas não consumado. Estes flashbacks servem principalmente para se ficar a perceber porque é que estas personagens são o que são no presente, e como o historial de uma pessoa por vezes a pode impedir de seguir em frente, sendo esta uma das mensagens do livro. Sempre presentes estão ainda aquelas ideias de não deixar para amanhã o que se pode fazer hoje -porque pode não haver amanhã, e de como não é saudável deixar que certos medos se apoderem da vontade de ver e fazer, experimentar coisas novas, ou em suma, de viver em pleno.

Mensagens universais à parte, esta é claramente uma história inconcebível e temo que alguns a acharão ridícula, quer dizer a rapariga está a transformar-se em vidro, no entanto, é muito fácil olhar para esta situação e ver simplesmente uma jovem doente com muito pouco tempo de vida, o que é sempre chocante. Ida amolece o coração do leitor tanto pela sua fragilidade, como pela sua força, e se houve alturas em que me zanguei com o autor por fazê-la parecer um tanto fútil (está a transformar-se em vidro e a coisa que mais quer é ter um último namorado), acabava sempre por perdoar quando me apercebia de que com isto ele só queria transmitir a necessidade que ela tinha de sentir que ainda estava viva, e suponho que não haja nada melhor do que amar outrem para tal. O Midas é outro com quem me zanguei várias vezes por ser, como se diz na boa da gíria, um valente morcão. Qual fobia (hereditária ainda por cima!!) de tocar nas pessoas, qual quê! Um MORCÃO é o que ele é. No entanto, como todo o herói do género, a certa altura ele consegue redimir-se -o alívio!

Para terminar. Estive quase para não classificar este livro, simplesmente porque achei que não o conseguia fazer, no entanto, pela clara dose de criatividade que envolve toda a história, estranha beleza da escrita, imprevisibilidade de quase todos os acontecimentos, e principalmente pela vontade que me dava de continuar a ler sempre que tinha obrigatoriamente de parar, atrevo-me a dar-lhe um 8/10.  E é tudo. A Rapariga dos Pés de Vidro vai estar à venda a partir de amanhã, estão inteiramente por vossa conta e risco. (*Cue spooky music… O.o*)

***

Goodreads
Guerra & Paz
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The Book Depository UK
The Book Depository.com


4 Responses to “A Rapariga dos Pés de Vidro”

  1. Tenho muita curiosidade em ler este livro, e embora perceba a tua indecisão, se lhe deste um 8/10 então é porque deve valer a pena.

    • Sim, este é um daqueles livros que despertam bastante a curiosidade, pela capa, pelo título, pela sinopse, pelas opiniões de quem já leu – pelo menos comigo foi assim :D. Não me arrependo nada de o ter lido, só que de facto ainda não consegui “digerir” a história *.*

  2. 3 Sara

    Concordo plenamente com a opiniao da Jen o final poderia ser outro.Alguem sabe se haverá continuação isso explicaria muita coisa se souberem de algo comentem aqui estarei a aguardar

    • Olá Sara!
      Eu tenho ideia de que não há seguimento para esta história. Mas realmente seria interessante ler mais qualquer coisa sobre o Midas. 🙂


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