Drácula

02Fev10

Autor: Bram Stoker

Editora: Europa-América

Páginas: 432

Idioma: Português

Sinopse: Excelente exemplo do romance gótico, Drácula é uma obra que ultrapassa a simples dimensão do terror a que tem sido confinada. Não é só um romance formalmente inovador mas também uma das mais importantes expressões dos dilemas morais e sociais com que se debateu o fim do século XIX. O conde Drácula representa o último aristocrata, rechaçado para o seu castelo por uma burguesia ascendente e um povo cujo sangue lhe permite perpetuar-se.  A morte de Drácula é a morte de uma linhagem, o fim de uma longa cadeia de gerações em que os elos são feitos de sangue, embora não propriamente azul…

Opinião:

Confesso que estou a travar uma luta interior para escrever esta opinião. A indignação quanto a determinados *juízos de valor* incutidos neste livro, aflora-me nas pontas dos dedos e tenta concretizar-se sobre o teclado de tal maneira que quase nem consigo pensar para além de.

(*Inspira, expira.* You can do it.)

Ora então, Drácula, de Bram Stoker. O clássico intemporal, revolucionário, supostamente escandaloso da sua época, e pai de toda uma miríade de versões, adaptações e imitações nos tempos que correm, foi em pleno início de 2010, o meu regresso à literatura do século XIX.

O meu conhecimento prévio acerca deste “obrigatório” limitava-se, vergonhosamente, ao facto de eu saber só da existência dessa vil e demoníaca personagem, gerador de todo o mal no mundo, morcegão sanguessuga, figura de negro e olhos vermelhos, habitante de um castelo com torres pontiagudas permanentemente envoltas no nevoeiro e situada algures nos cumes da Transilvânia, the one and only, conde Drácula. Agora, 432 páginas de sucessivos relatos, excertos de diários, cartas, telegramas, memorandos, notícias de jornal, todos eles escritos, dactilografados, gravados, enviados, recortados e colados, trocados entre Harker, Mina, Dr. Seward, Van Helsing,  Lucy, Arthur, e Quincey Morris… sei de toda a terrorífica verdade. E essa,  por vezes, deixou algo a desejar.

Através deste estilo de narrativa em tom de relato/desabafo/diário, Stoker conseguiu, sem dúvida, dar a conhecer a fundo as  maioria dos personagens, as suas crenças, medos, expectativas, angústias, etc, o que nas cenas mais dinâmicas fazem destes narradores relatadores notáveis (o meu referido é o Dr. Seward), por vezes até com uma veia cómica, no entanto, e lá vou eu dar nas orelhas, este mesmo estilo em certas e determinadas ocasiões transformou o texto num monólogo descritivo e repetitivo demais para o meu gosto (so boring). Sendo isto umas daquelas coisas que por norma me levam a pousar um livro sem o acabar, estive quase, quase, para o fazer… mas, o meu espírito optimista (e crush no Dr. Seward) levaram-me sempre a acreditar que o autor estava a guardar tudo, tudo, tudo para o confronto final entre os inesperados heróis e o terrível vilão.

Estava enganada. No fim só ecoava na minha cabeça foi só isto?

Deixo portanto aqui o meu sentido e profundo pesar pelo conde, que era personagem para ser vencida em resultado de uma batalha final digna do alcance da sua imortalidade, mas nunca daquela maneira. Foi pena.

A história em si penso que pode ser dividida em três partes. Numa primeira conhecemos o herói número um da trama, Jonathan Harker, noivo, advogado, a caminho da Transilvânia para tratar de assuntos de arrendamento de uma casa em Londres para o conde. A estadia de Harker no castelo de Drácula depressa se transforma num cativeiro, e nesta fase inicial do livro basicamente é-nos narrado o dia-a-dia deste prisioneiro claramente a perder cada vez mais o juízo com o passar dos dias. Numa segunda parte, agora sim em Londres, e com a entrada em acção de todas as outras personagens, os motivos maléficos de Drácula já são conhecidos e os esforços de toda a gente convergem para uma caça febril às caixas de terra do conde. Caixas estas que permitem a sua “sobrevivência”, e que são muitas, e de paradeiro desconhecido. Numa terceira e última parte, dividida entre Londres, a Transilvânia, e o caminho entre ambos os lugares, só interessa caçar o monstro em si, de maneira a salvar a agora esposa de Harker, Mina, e também, suponho, já que tem de ser, a humanidade, deste malfeitor sem par.

Indo, finalmente, ao motivo da indignação que mencionei no início:  senhor Bram Stoker, era preciso tanto machismo? Inaceitável!

Classificação: 6/10



One Response to “Drácula”


  1. 1 Entrevista com o Vampiro | Cuidado com o Dálmata

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