Deerskin

27Jan10

Autor: Robin McKinley

Editora: Ace (1994)

Páginas: 309

Idioma: Inglês

Sinopse: As Princess Lissar reaches womanhood, it is clear to all the kingdom that in her breathtaking beauty she is the mirror image of her mother, the queen. But this seeming blessing forces her to flee for safety from her father’s wrath. With her loyal dog Ash at her side, Lissar will unlock a door to a world of magic, where she will find the key to her survival-and an adventure beyond her wildest dreams.

Opinião:

Okay… este é um daqueles. Um daqueles livros que vou evocar vezes e vezes sem conta até os ouvidos dos que me rodeiam sangrarem de exaustão ( – preparem-se).

Vou usar a frase de outra pessoa para arrancar com isto: this book broke my heart, and then healed it. Nem mais. Se esta história começa no tom clássico de fairy tale, não contem com que tal dure por muito, porque de súbito BAAAMM! Pesadelo, pesadelo, pesadelo. Mas suponho que desde o início o leitor suspeite de algo, sinta um formigueiro, um mal-estar, uma inexplicável pele de galinha, um friozinho na parte de trás do pescoço, um contínuo transpirar de mãos…ou não houvesse algo de completamente errado com pais que ignoram os filhos, e com filhos que gelam ao mínimo contacto com os pais, que se sintam sufocados na sua presença.

Pois então, Lissar, a heroína da narrativa, poderia ser a princesa mais afortunada da história por ser filha do rei e da rainha mais belos, perfeitos, apaixonados, ricos e poderosos de sempre, mas a realidade é precisamente o oposto. Desprezada pelos pais, cujas vistas têm o alcance só um do outro, desprezada pela corte e pelos seus súbditos por não possuir, nem a presença poderosa do pai, nem a graciosidade ou a suprema beleza da sua mãe, Lissar vive como que reclusa no seu quarto, onde por companhia têm só quase e exclusivamente uma aia, que ao contrário de muitas aias de muitas histórias, não sente, também ela, afecto pela pequena. É então que a rainha adoece e em pouco tempo morre, deixando o marido a acumular (ou a agravar) uma demência sombria, primeiro à vista de todos, e depois, disfarçadamente…e eu não esperava o que estava para vir desta loucura **Alerta grande spoiler** porque de súbito, em dois pequenos parágrafos, a história de Lissar faz gelar corpo e alma, desliga o cérebro do leitor e deixa-o num horror perplexo. Falo do seu sórdido e arrepiante espancamento e violação de Lissar, levada a cabo pelo próprio pai, que é o ponto de viragem da história. **Fim de spoiler**

Ainda que profundamente magoada em muitos e variados sentidos, e com a memória quase em branco, Lissar consegue escapar para a floresta, sendo lá que vai chorar a sua dor, e eventualmente curar (nunca a 100%) as suas feridas. Esta fase do livro é muito angustiante – testemunhar as dificuldades por que ela tem de passar, a todos os níveis, fazia-me sempre sentir uma inútil…há livros assim, só apetece entrar na história e fazer alguma coisa, vontade esta que culmina sempre em raiva, já que não há nada que se possa fazer, a não ser continuar a ler. Por outro lado, é nesta fase que Lissar vai crescer, e é reconfortante vê-la fortalecer-se, tornar-se adulta – ainda que a sua infância tenha sido tão triste, e como que roubada, mas Deerskin é uma lição de sobrevivência, e Lissar enchia-me de orgulho com cada vitória, por mais pequena e insignificante que pudesse parecer.

Essencialmente, este é um coming of age, e mais ainda uma história sobre curar feridas, seguir em frente, e sobre a coragem que é preciso para enfrentar os nossos piores medos. McKinley faz isto através do retelling do conto de fadas Donkeyskin de Charles Perrault, sempre no seu estilo muito pessoal, pois quem conhece a autora já sabe que lhe espera uma primeira parte mais difícil, aquela primeira parte necessária para enquadrar a história e começar a moldar o que aí vem, depois uma segunda parte quase de transição, muito mais fácil de seguir, e por fim uma última parte em que não se consegue parar de ler porque o que se quer ver está prestes a acontecer. Posso dizer que este é agora um dos meus livros preferidos de SEMPRE, o primeiro livro que não é da Juliet, e que não é o Pride and Prejudice, a que vou dar um 10/10 – épico!

Reparei que estava a terminar a opinião -já longa- sem ter referido o Ossin (entre outras coisas, como os cães, a magia, e etc), o príncipe menos cliché de sempre, pois supostamente ele é feio e gordo, e ainda por cima veste-se (e age) como um rapaz do estábulo, mas que é aquela personagem que eu estava sempre à espera que aparecesse na história, aquela personagem que vai tentar entrar no tal coração magoado da heroína, e é verdadeiramente emocionante testemunhar como eles se tornam amigos, mesmo quando Lissar nem sonha alguma vez voltar a suportar o toque de alguém, principalmente do sexo oposto.

Recomendado a quem aprecia fairy tales alternativos, e que não pousa um livro após uma cena chocante.

Classificação: 10/10

Goodreads ǀ The Book Depository UK ǀ The Book Depository.com ǀ Gam.Co ǀ Amazon.com

***

**Extras**

Book-trailer (fan-made, por moi :D)



One Response to “Deerskin”


  1. 1 The Hero and The Crown | Cuidado Com o Dálmata

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